Saúde da cidade foi parar na UTI, e estado é gravíssimo!

saobernardonatvsaudenauti-mTeve um tempo em que a gente corria pra frente da TV quando sabia que nossa cidade seria tema de matéria nos jornais. Na maioria das vezes, era com orgulho, e as matérias costumavam falar das lutas da classe trabalhadora, das belezas do que ainda restou de Mata Atlântica por aqui ou por histórias de munícipes, famosos ou anônimos, que fizeram a diferença em alguma situação específica. Hoje, quando a gente escuta na chamada dos programas com matéria sobre São Bernardo já dá um frio no estômago. Denúncias de corrupção, ordem de prisão a secretários municipais, investigações, enchentes e, nos últimos dias, uma avalanche de matérias apresentando o caos da saúde.

Não é de hoje que o SINDSERV tem “cantado essa bola” e a situação caótica era prevista por nossa entidade. Uma rápida olhada nas matérias publicadas no SINDSERV Jornal, no nosso Portal na internet e em nossas mídias sociais são capazes de comprovar isso. Terceirizações, PEC da Morte, corte de investimentos, utilização de cargos técnicos para acomodação de “cabos eleitorais”, excesso de trabalho e desvalorização dos servidores, tudo isso foi dito e na maioria dos casos com desdobramentos judiciais, já que a Mesa de Negociações também não existe mais.


DE QUEM É A CULPA PELAS IMENSAS FILAS?

O cidadão adoece, procura um serviço público de saúde (muitas vezes porque ficou desempregado e perdeu o convênio), ou seja, vai em busca de saúde, e o que encontra? Filas intermináveis, pessoas estressadas e uma absoluta incapacidade de solução concreta de seu problema. Com quem ele explode? Com o trabalhador que está ali se desdobrando para atendê-lo.

Parece natural, mas não deveria ser. Os trabalhadores da Saúde estão sobrecarregados, desvalorizados, assediados moralmente. Isso tudo leva a afastamentos para tratamento de saúde e exonerações, que por sua vez, geram ainda mais acúmulo de trabalho.

Então, é óbvio que o único culpado por isso é a Administração da cidade, que foi incapaz de perceber que a tal “economia de R$ 1 milhão por dia” e o investimento abusivo com publicidade levariam a esta situação.


MAIS QUE ISSO: ESSE CAOS É RESPONSABILIDADE DO PREFEITO!

Sim, o prefeito é o grande responsável por este estado de calamidade. Ele assumiu esta responsabilidade quando prometeu, durante a campanha eleitoral, convocar concursos públicos, aumentar os investimentos e valorizar os trabalhadores. Fez exatamente o contrário...

As terceirizações não param de crescer em sua gestão, não há previsão de concurso público para suprir todas as necessidades da Saúde e os investimentos não param de ser cortados (o que ele chama de “gastos”).

Primeiro, o prefeito concordou e apoiou a PEC da Morte, que virou Lei aprovada no Congresso Nacional e foi sancionada por Michel Temer. Essa lei prevê o congelamento dos investimentos públicos durante 20 anos. Ou seja, até 2037 não se pode investir nem um único centavo a mais do que fora feito em 2017.

Para acabar de agravar a situação, o prefeito mandou para a Câmara Municipal, no começo deste ano, uma lei (que obviamente foi aprovada sem discussão por sua base de sustentação), que prevê o corte de 10% das despesas em todas as secretarias.

Faça a conta: congelamento dos investimentos por 20 anos + corte de 10% em 2019 = caos!


A SAÚDE A SERVIÇO DE INTERESSES ELEITORAIS

Outra tecla que tem sido batida pelo SINDSERV é em relação à eterna postura de candidato do prefeito. Ao invés de resolver os problemas, de prefeitar, ele prefere o discurso rápido, o ataque a supostos adversários, a ofensa ao que pensa diferente. Ele foi eleito para solucionar os problemas, não para agravá-los, como tem feito.

A questão eleitoral impõe outra situação trágica na Saúde: pessoas sem a devida qualificação exercendo funções que deveriam ser cumpridas por profissionais preparados. São muitas as denúncias de que a Secretaria de Saúde teria se transformado em um enorme “cabide de empregos” para acomodar cabos eleitoras do prefeito, de sua esposa e de vereadores de sua base de sustentação.

“Para que um servidor ingresse na carreira é necessário ter bons antecedentes criminais e comprovar idoneidade moral, além de prestar concurso público, cumprir período probatório, passar por avaliação periódica, gozar de boa saúde e apresentar certificados e títulos. Na lógica das terceirizações, hoje basta ser amigo ou ficar amigo do ‘gestor’”, afirma o Diretor Jurídico do SINDSERV, Célio Vieira.


CRIANDO PROBLEMAS PARA “VENDER” SOLUÇÕES?

Quando deputado estadual, o atual prefeito adquiriu uma fama entre seus colegas de Alesp de ser um político que gostaria de criar dificuldades para vender facilidades. Isso nos leva a uma dúvida crucial: será que o caos na Saúde foi programado para “vender” facilidades? Será que é por isso que ele foi capaz de demitir um médico com importante histórico de serviços prestados à cidade durante o Bom Dia SP da Globo, nesta quarta-feira, 22, ao mesmo tempo em que anunciou que vai contratar clínicas privadas para dar conta do atendimento?

Mais uma vez, os principais beneficiados serão os empresários do setor da saúde, que receberão milhões dos cofres municipais para fazer algo que seria perfeitamente executado por profissionais de carreira, concursados, e se o dinheiro do povo fosse investido no setor público, não no privado.


AMADORISMO E ERROS BÁSICOS TAMBÉM LEVARAM AO CAOS

O fato de permitir que pessoas sem a devida qualificação tomassem conta da Saúde da cidade tem reflexos tão graves quanto os cortes nos investimentos. O grupo que dirige a secretaria cometeu erros crassos, dignos de amadores, e estão prejudicando milhares de munícipes.

Começamos com as demissões de médicos e agentes de saúde por mera perseguição política: “Quem não me apoiou, está fora”. Isso causou deficiências insanáveis no trabalho crucial de prevenção e na atenção básica, especialmente no Programa Saúde na Família.

Depois, concentrar atendimentos das mais variadas naturezas (atenção básica, urgência e emergência etc.) no mesmo espaço, ou seja, no Hospital de Clínicas, é um equívoco sem precedentes na história da Saúde de São Bernardo.

Finalmente, a confusão e a dificuldade do atual governo compreender as diferenças fundamentais entre os atendimentos prestados nas UPAs e nas UBSs, transferindo serviços de umas para as outras, encerrando unidades, diminuindo o período de atendimento, demonstra a incapacidade técnica da gestão: “Importante destacar que o atendimento avançado está prejudicando a atenção básica, pois as filas intermináveis são derivadas de atendimento curativo e não o preventivo como era antes. Retiraram demandas das UPAs e as UBSs tiveram que assumir, por isso sobrecarregou, gerando adoecimento por excesso de atribuição no exercício de trabalho, fora as contratações de quem não tem competência para nada, a não ser aumentar o rombo nos cofres públicos, bem diferente das promessas feitas pela gestão no período eleitoral”, analisa a vice-presidente do SINDSERV e trabalhadora da Saúde, Marlene Matias.


BUSCANDO SOLUÇÕES

Ação do SINDSERV contra as terceirizações aguarda julgamento no STF

Um dos alentos para trabalhadores da Saúde e para a população na busca de soluções para esta situação dramática é a ação judicial movida pelo Sindicato exigindo o fim das terceirizações no setor e a imediata abertura de concursos públicos. “Já obtivemos vitória em primeira e segunda instâncias, mas infelizmente a Administração preferiu recorrer a instância máxima, ao invés de implantar as medidas que trariam reais soluções para a cidade”, avalia Marlene Matias.

Luta constante em defesa dos servidores e do serviço público

Além da processo contra as terceirizações, o SINDSERV mantém uma infinidade de ações administrativas, judiciais e políticas em defesa da Saúde Pública e dos trabalhadores. Nossa entidade tem atuado fortemente contra distorções e injustiças praticadas pelo governo municipal, como no caso das folgas quinzenais e dos plantonistas, na situação de abandono vivenciada na Zoonoses ou na absurda designação de trabalhadores das UPAs para cobertura de plantões em outras unidades, sem disponibilização de recursos para o transporte, enquanto comissionados se locomovem por contratação de veículos de aplicativo.


INCLUIR A POPULAÇÃO

Como já dissemos, quem perde com a incompetência e a má gestão na Saúde é a população e a categoria. É preciso que todos os servidores tenham esta consciência, pois só assim teremos condições de apresentar os reais problemas ao povo, que vai permitir que conquistemos sua simpatia e apoio para nossas lutas.

Lamentavelmente, este governo já demonstrou sua absoluta incapacidade de dialogar com os trabalhadores, então precisamos do apoio dos munícipes para exercermos o democrático direito de pressão em busca do atendimento às nossas reivindicações.

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